O mundo que nos cerca tem pouca coisa, muito pouca mesmo, que nos foi dada. Talvez os aspectos naturais, mas os sociais e simbólicos são tudo frutos de uma construção coletiva. A noção do certo e errado, a monogamia, o sexualismo, a moda, a alimentação e tantos outros aspectos do mundo que nos rodeia são construções sociais, alguém ou alguma sociedade as criaram e as recebemos e tendemos a repeti-las sem o mínimo de senso crítico. Reproduzimos preconceitos, comportamentos, conceitos, ideologias sem nos perguntar porque agimos de tal modo. A ética é um conceito histórico e geográfico sim, não é uma coisa fechada, imutável. O que foi ético no século XV pode não ser mais hoje. O que é ético em uma tribo africana pode não ser em uma sociedade como a brasileira, mas poucas vezes nos perguntamos sobre isso, vamos sendo levados a reboque, vivendo a margem.
Como disse certa vez alguém precisamos trocar os pontos de exclamações por pontos de interrogações e veremos que o consideramos lindo, certo e maravilhoso necessita de muita explicação e pode não ser tão corretos assim. Como já disse em vários textos o ser humano não gosta de mudança, de pensar, de desafiar, de confrontar, Preferimos respostas prontas, rápidas, que não nos exigem muito esforço. As coisas são como são e ponto final. Cômodo isso não? E para isso, para aumentar esse conforto o homem criou os paradigmas que são modelos prontos e acabados que usamos para responder perguntas que determinadas épocas nos impõem. O problema é que a sociedade muda, o tempo passa e as perguntas mudam e para isso os velhos paradigmas não fornecem mais respostas, dentro desse cenário é preciso criar novos paradigmas que conseguirão responder essas novas questões desse novo mundo, dessa nova sociedade.
Com a quebra dos velhos paradigmas e o surgimento de novos o mundo evolui, as revoluções acontecem. E nesse sentido precisamos sempre estar revendo nossos paradigmas pessoais para acompanhar o mundo que nos cerca, para não ficarmos para trás, nos apegando a coisas e conceitos que não fazem mais sentido. Precisamos sempre rever nossas verdades, sermos maleáveis, nos adaptarmos rapidamente a um mundo que está sempre em trans-formação em um processo cada vez mais rápido.
Parafraseando Bauman, precisamos ser seres líquidos em um mundo e uma modernidade líquidas, não há mais espaço para seres sólidos, duros, incapazes de mudar e moldar-se a novas situações. Paradigmas, idéias pré-concebidas sempre existirão, mas seus prazos de validade estão cada vez mais curto e temos que estar cada vez atentos a essas mudanças e mais dispostos a abandonar nossas crenças. Para entender um pouco mais como nascem os paradigmas, veja abaixo esse vídeo que acho uma explicação bem legal sobre esse processo.
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