Há algum tempo, uma pergunta ronda minha cabeça como uma mosca varejeira fazendo sons similares aos das vuvuzelas africanas: para que serve a Universidade nos dias de hoje? Quando vejo propagandas na TV em que os slogans principais das campanhas são: “tenha seu diploma em dois anos!” “Menos teoria, mais prática!” Nossa! Quando ouço essas coisas, a “mosca varejeira” zoa mais alto em meus ouvidos.
Porém essa postura de 95% das faculdades particulares brasileiras e até alguns cursos das universidades públicas, o que mais me choca, é apenas um reflexo do comportamento do estudante brasileiro. Infelizmente, dentro de um cenário marcado pela extrema competitividade no mercado de trabalho, os alunos não querem “perder” seu precioso tempo com teoria, com filosofia, com sociologia, com antropologia.
Uma pena! É lamentável essa postura arredia com disciplinas que ajudam esses alunos a se formarem homens com senso crítico, postura crítica que é realmente a função da Universidade, da Academia.
A pessoa deve entrar na vida acadêmica procurando evoluir como pessoa e não apenas atrás de um diploma, este é uma conseqüência natural de um bom desempenho universitário. Não entendo quando vejo pessoas colando, pescando, indo de carona nos trabalhos só pela nota. É deprimente, meninos do ensino fundamental até que é compreensível, não tem visão de longo prazo e só querem agradar os pais, mas homens e mulheres agindo do mesmo jeito é triste.
Outro ponto, a universidade é o espaço de construção de conhecimento, e não apenas reprodução. Espera-se que o profissional formado seja capaz de propor novas alternativas para seu campo de atuação, que produza conhecimento. E para isso é preciso conhecer os paradigmas da área e a partir proponha novos paradigmas. E isso não é possível se não for com senso crítico, por isso importância de disciplinas como filosofia e sociologia.
Local de reprodução é no ensino técnico, é lá que se produzem mão-de-obra barata, em série, acéfala, lá é o lugar da prática. A universidade é local do pensamento, da crítica, da proposição, agi de outra forma é se apequenar, não aproveitar uma chance impar de crescer como ser humano, entender que nada é verdadeiro, ser tolerante com o diferente, aprender com o novo, não ter aversão ao novo. Não querer apenas reproduzir, mas produzir, precisamos de pessoas que queiram mudar as coisas e não perpetuar velhos modelos.
É um dos efeitos do Capital sobre as pessoas, buscam a prática na idéia de que somente ela pode proporcionar dinheiro e realização.
ResponderExcluirEssa alienação não os deixa perceber o potencial que possuem. Uma pena.