quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O mundo dos sentidos I

Todos certamente já viram uma floresta ou entraram em uma mata fechada. Nessa experiência, esse habitat nos parece um aglomerado de árvores, todas iguais, sem nenhuma distinção entre elas. No entanto, índios e pessoas que moram nesses lugares conseguem diferencia-las, para eles cada árvore é única e nesse local que nos parece homogêneo, conseguem localizar-se e até construírem caminhos. Seremos cegos?
Com certeza não. O que devemos levar em conta nesse caso e é que nossos sentidos são “construídos” a partir do local e sociedade em que vivemos. Os sentidos das pessoas que moram em floresta foram treinados para a perfeita adaptação desses homens a esses locais. O inverso também acontece.
O antropólogo e professor da UFRJ José Carlos Rodrigues nos relata em seu livro “Comunicação e Significado”[1] um estudo que empreendeu em uma obra com a finalidade de diminuir os acidentes de trabalho. Para tanto empreendeu um estudo antropológico em que identificou que a incidência de acidentes era maior entre as pessoas recém-chegadas do interior. Por que isso? Menor grau de instrução?
Certamente que não, a conclusão a que o professor chegou foi a de que essas pessoas provenientes de outros locais não tinham seus corpos e percepções treinadas para viverem em um local onde os perigos são iminentes e os espaços diminutos. Esses homens provenientes do campo sempre viveram em grandes extensões de terra, os perigos eram quase todos naturais (animais, insetos) e a essa nova realidade e aos perigos dessa nova realidade seus sentidos não estavam preparados.

[1] RODRIGUES. José Carlos. Comunicação e Significado: Escritos Indisciplinares. Manuad X: Editora PUC Rio. Rio de Janeiro. 2006.

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