Queridos leitores, vocês já pararam para pensar o quanto carregamos da sociedade em nossas entranhas? Gandhi, estava com razão quando afirmou que seria mais fácil derrubar a muralha da China do que um preconceito, pois a primeira é apoiada apenas em tijolos, portanto, tirando um, cairão todos. Já os preconceitos são feitos por idéias que foram sendo calcados durante anos na vida de alguém e tira-los, sem dúvida, é muito difícil.
O processo de socialização por qual todos nós passamos faz com que introjetemos seus ideais como se fossem verdades universais, poucas vezes nos questionamos. Imagine-se em sua sala, não há ninguém em volta, você está sozinho vendo TV. De repente, você solta um pum. De maneira incrível, você ficará com vergonha, mas de que? Está sozinho? Mas a sociedade está em você. Seus valores e normas te regem mesmo que não perceba.
Esse fato faz com que nós nos comportemos por conveniência, não do modo que queríamos nos comportar, mas do modo como os outros queriam que nós nos comportasse. Ou melhor, as regras estão tão bem assimiladas que nosso comportamento já é automático, nem percebemos que aquilo foi pré-determinado, portanto, achamos que somos livres.
Albert Camus em seu livro “O Estrangeiro” nos relata com maestria tal fato. O personagem dele não vive por conveniência e há muito tempo não convive com a mãe, certo dia, a idosa falece e ele vai ao enterro, mas não chora, pois para ele não havia sentido para isso, pois há tempos que não convivia com aquela mulher. Tempos depois ele se envolve em um assassinato, mata um homem acidentalmente, e o juiz o condena, não pelo fato em sim, mas sim por ele não ter chorado no enterro da mãe, isso, na visão do juiz era inadmissível. Por essa razão, o nome do livro de Camus é o estrangeiro, pois quem não age de acordo com as regras sociais são estrangeiros.
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