segunda-feira, 3 de maio de 2010

A falta que nos guia


Primeiramente quero pedir desculpas aos leitores desse espaço pela longa ausência, mas tempo é algo que está faltando para mim nesses últimos meses.
E para esse meu post de reestreia resolvi escrever sobre algo que tenho pensando com uma certa freqüência que é o sentido da falta e como ela nos guia, talvez muito mais do que as conquistas.
Morei quatro em uma pequena cidade do interior do Piauí e volto todos os anos, pois meus pais ainda vivem lá e algo me chama muito atenção sobre essa agradável cidade. Nós, seu moradores ou ex-moradores no momento em que vamos falar sobre esse município o fazemos através da falta.
Como assim? Pergunta-me os apressados. Explico: a definimos pelo que falta nela. Dizemos quase sempre: - lá falta isso, lá falta aquilo, lá não tem tal coisa, ou seja, é definida pelo que não tem. Isso acontece na definição de muitos lugares pobres ou de periferia. Mas seria muito legal a definirmos pelo o que ela tem. Lá tem paz, tem qualidade de vida, todo mundo se conhece, é fácil encontrar um amigo para tomar cerveja e dar risada. As pessoas são mais confiantes, pois se conhecem e muitas outras coisas que não vou descrever aqui, pois o foco não é esse.
O foco é discutir que na nossa vida também agimos assim quase todos os dias, nos punimos, nos cobramos, nos dilaceramos muito mais pelo que não temos, aquilo que nos falta e não percebemos tudo o que ganhamos e conquistamos. O que sem dúvida é um erro, pois ficamos permanentemente tristes, quando perdemos algo, ganhamos outra coisa.
Não adianta ficar se martirizando pelo que perdeu, imaginando sua vida caso tivesse conseguido, isso é uma trava. Comemore aquilo que ganhou, desfrute os resultados dessa conquista. Aquela menina que você não conseguiu conquistar é página virada, olhe para a mulher que está a seu lado, pare de viver de ilusão e viva a realidade.
Esse sentido e urgência da falta é muito bem explorado pela publicidade, ela desperta faltas em você. A pessoa tem seu celular e está funcionando muito bem, de repente aparece uma propaganda e ela se dá conta de que não sabe como viveu até aquele momento sem um celular com toques polifônicos. De uma hora para outra seu celular não presta e ela idealiza como a vida seria legal com o novo celular.
Muitas vezes, dezenas de vezes agimos assim com as pessoas que nos amam e está ao nosso lado pois idealizamos uma vida perfeita com outra pessoa que não está nem aí para nós. Precisamos valorizar nossas conquistas e esquecer um pouco o que nos falta, temos que olhar para frente e não ficar acorrentados a um passado, a uma ilusão.
Para facilitar o exercício, lembre da frase que diz: “aquele que perde o telhado em troca ganha a visão das estrelas”.

Um comentário:

  1. Lindíssimas palavras. Emocionada!!!
    Muita gente ainda se prende ao passado, esquece de viver o presente, ou só dá valor qnd perde, qnd muitas vezes já é tarde demais. Tem gente que vive achando q a vida do outro é sempre a melhor, e qnd vamos ver, o outro tem sim problemas como nós.. quem dera se a vida fosse perfeita. Aparentemente uns tem mais problemas que os outros, uns expoem mais, outros menos, mas na verdade todos nós temos problemas.

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