
Há uns dez ou onze anos mais ou menos eu lia bastante os livros do Paulo Coelho, li quase todos que ele publicou até 2001, depois parei, comecei a fazer faculdade e conhecer outros autores, sem nenhum juízo de valor, apenas deixei de lê-lo para ler outras coisas.
Em um desses livros, não me lembro mais qual, ele falava que todos os dias, em um determinado segundo acontece algo que pode mudar totalmente sua vida. Desde então sou meio impressionado com isso, fico procurando identificar esse segundo mágico. É claro que essa tarefa é muito difícil, requer sensibilidade para identificar e entender sinais que nem sempre – quase nunca são – claros.
Além dessa sensibilidade, também é necessário desprendimento. Pois convenhamos que não é nada fácil largar uma vida segura, que você sabe – ou pensa que sabe ao menos – para onde vai e se soltar atrás de uma aventura de futuro e frutos incertos. E para ser sincero, já encontrei vários segundos que eu poderia mudar tudo, mudar de cidade, de emprego, de vida, mas não quis, não quero, sou muito apegado com eu gosto e ser aventureiro tem seu preço que eu não estou disposto a pagar. Admiro quem tenha tais qualidades, mas não é para mim, já perdi muita gente pelo caminho, não quero mais.
Mas continuo procurando, gosto de ver esse limiar, um passo e nada será como antes, é legal, mas nunca dou o passo. E podem acreditar, Coelho tem razão, a cada dia nós podemos, em um segundo, mudar nossa vida inteira.
Porém, nessa busca por esse segundo mágico, aprendi outra coisa tão importante, ou talvez mais importante do que mudar a vida que é aprender a viver melhor. Eu constatei que todos os dias podemos aprender algo surpreendentemente novo e com qualquer pessoa, o garçom, o gari, o motorista, a colega de trabalho, um livro, uma propaganda, um programa de auditório, tudo e todos, sem exceção têm uma história, têm algo a dizer. Isso também requer sensibilidade e humildade.
Ontem eu estava assistindo a um programa que estreou na Band chamado A Liga e nele os repórteres se passavam ou acompanhavam um dia inteiro na companhia de um morador de rua. Caros, quantas histórias! Quantos ensinamentos! É claro que não precisamos subir na montanha para saber que ela é alta. Sempre tive a vontade, o desejo quase impulsivo de entrevistar todos os transeuntes que encontro nas ruas, quantas histórias não reveladas por aqueles verdadeiros baús não guardam. Queria ser um descobridor, um arqueólogo de histórias, remexer esses baús. Nossa! Quanta coisa legal, engraçada, emocionante não sairia.
Precisamos ter humildade para aprender com essas pessoas, com situações que nos encaram diariamente. Ao fazer isso com certeza nos transformaremos em pessoas mais tolerantes, pois aprenderemos a enxergar e a ouvir o outro. E sabe uma das coisas mais interessantes que aprendi nesse tempo e com esse programa: não devemos ficar muito entusiasmado quando tudo dá certo, pois a sorte pode virar, mas também não podemos ficar muito desanimado quando tudo dá errado, pois essa sorte também pode virar.
Tb sou desse time. Posso ter sensibilidade aflorada, mas não sou desprendida. Tive inúmeras oportunidade de mudar radicalmente a minha vida. Aliás, tenho diariamente. Mas não quero. Vou vivendo, e tentando fazer sempre o melhor. Pra mim e para os outros. Acredito na Lei do Retorno. Acredito que o melhor que se tem a fazer é sempre agradecer, pensar positivo e fazer o bem!
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