
Certa vez um mestre levou seu discípulo a uma humilde fazenda, a família era muito pobre e começaram a perguntar aos moradores o modo de vida naquele pequeno roçado. O patriarca afirmou que viviam exclusivamente do leite que uma vaquinha dava e com esse leite produziam os alimentos suficientes para suas sobrevivências.
Ao saírem, o mestre ordenou ao aluno que jogasse a vaquinha em um precipício. O jovem tentou argumentar, mas o mestre foi taxativo e então ele fez o que fora ordenado, matou a vaca. Passou um ano de sua vida se lamentando, se condenando. Como havia sido tão cruel? Acabar com o único sustento de uma humilde família?
Não suportando mais tal pressão resolveu voltar ao local para pedir perdão e tentar ajudar aquelas pessoas. Ao chegar lá o cenário que viu deixou mais apavorado. Era tudo lindo, plantações a perder de vista, uma linda e luxuosa sede, carros, piscina. Ele apavorado perguntou a um senhor: - Onde está aquela família pobre que morava aqui o ano passado? Tiveram que ir embora? O senhor respondeu:
- Somos nós. Lembro do senhor. Cadê o outro que o acompanhava? O aluno perguntou: mas como? O que houve? A resposta do velho o deixou chocado:
- Vivíamos naquela época do que dava aquela vaquinha, mas logo depois de sua visita, ela se perdeu e caiu em um barranco e morreu, sem ela tivemos que procurar outro meio de vida e então começamos a diversificar os negócios, a aproveitar melhor nossas terras e deu certo.
Depois de ler essa história em 2001, comecei a perceber como eu me agarrava também a um monte de vaquinhas e como isso, por vezes, atrasa nossa caminhada. Eu sei que é normal a todas as pessoas se acomodarem, não é próprio ao ser humano o stress. Tudo o que queremos na vida é uma situação que nos permita relaxar e viver no automático.
Mas temos que estar preparados, cada dia mais, para a morte de nossas vaquinhas, para poder diversificar nossos horizontes, nossas potencialidades. Hoje, não vou falar que não me apego a vaquinhas, sim me apego, mas não fico apavorado quando vejo elas morrendo. Temos que estar preparados para tudo, confiar em nós mesmos, não em uma postura arrogante, mas confiante. O mundo gira, o tempo passa e nada, nenhuma vaquinha é imortal.
Sensacional o texto. Parabéns! bjos Narla
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