segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Combustível chamado felicidade


O que faz com que nos levantemos todos os dias de nossas queridas camas? Fé, objetivos, expectativas, dinheiro, obrigação, nossas pernas? Eu diria que um pouco de tudo isso, sem dúvida. Mas em minha visão, o principal fator para que suportemos nossas rotinas é a busca da felicidade.
O ser humano, sem exceção, corre, luta, transpira, xinga, trabalha, respira para ser feliz. A felicidade é o horizonte de nossas vidas. Enquanto há felicidade, suportamos qualquer coisa, e quando ela finda, não há mais nada que nos segure. Um casamento, por exemplo, é preciso que haja felicidade para que perdure.
Tive um professor, certa vez, que me confidenciou que se separou de sua primeira esposa por ter perdido a felicidade de estar com ela. Eles eram super amigos, mas não havia nenhum motivo para que continuassem casados, a felicidade tinha acabado. É como um emprego, por mais duro e desgastante que seja, enquanto há felicidade o suportamos.
Passei por isso entre 2003 e 2006. Trabalhava em um posto de saúde, em que todas as manhãs eu tinha uma enorme vontade de chorar só de pensar em ir para lá. E foi aí que tive minha segunda certeza: além de sermos incapazes de viver sem tesão, é preciso haver esperança de que as coisas mudem.
Meu tesão por aquele serviço havia terminado completamente, era uma penitência, um sacrifício ir para aquele lugar, encontrar a minha limitada e chata chefe, atender a um público idem. Mas o que me deixava mais baixo astral era não ter esperança de que as coisas mudassem, até que consegui passar em um estágio e sai definitivamente daquele lugar. Assim como alguém super cansado que sabe que no dia seguinte poderá acordar tarde, o homem até consegue viver por um período infeliz, mas ele tem que acreditar que amanhã as coisas mudarão.
É bom trabalhar em um lugar com pessoas legais e fazendo o que gosta. Pode aos olhos de outrem ser um serviço chato, pesado, mas quando se está feliz suportamos e o fazemos com prazer. Há um livro de Albert Camus chamado A Peste, em que um médico está nos meios dos doentes, em uma cena dura e um de seus assistentes, pergunta a ele o porquê de estar ali, se expondo ao contágio, lutando por vidas de que nem conhece, vitimados por uma peste implacável. O médico responde a seu assistente que o motivo é a felicidade, ele é feliz se achando útil àquelas pessoas, se não houvesse felicidade, não teria nada para fazer naquele lugar.
Estendamos o nosso pensamento ao limite. É possível morrer de tristeza? Sim, sem dúvida, há inúmeros relatos de escravos negros e indígenas que morriam de tristeza no Brasil Colônia. A vida para essas pessoas eram tão dura, tão sem esperança, que eles se prostravam no fundo de uma rede e se deixavam morrer. Era os que os colonizadores chamavam de banto que não era mais nada que tristeza, depressão aguda.
Seguindo nossa linha de raciocínio que estamos desenvolvendo desde os primeiros textos aqui postados é preciso ter em mente que a felicidade não é a mesma para todas as pessoas. Para uns, a felicidade é trabalhar, para outros é irem à Igreja, outros um estádio de futebol, outros é irem a um barzinho com os colegas, e assim vai. Portanto, quando vermos aqueles caras chatos, insuportáveis lembremos: ele só que ser feliz.

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