Nos últimos anos, uma pergunta me acompanha ao longo dos dias: porque a maioria das pessoas é incapaz de discutir idéias? Na Universidade, vários colegas não conseguiam debater nenhum assunto, simplesmente pelo fato de que essas pessoas queriam ser sempre unânimes, e a simples discordância por algum colega de suas representava uma ofensa mortal.
Será difícil entender que não concordar com você não representa que eu não goste de você? Não concordo com suas idéias, ataco suas idéias, tão somente elas, mas posso reconhecer que você é uma grande pessoa. E Aqui, também reside outra dificuldade: reconhecer pontos positivos em um discurso que difere do meu.
O filosofo alemão Jürgen Habermas criou um conceito interessante que deu o nome de Ação Comunicativa, centrada na idéia da razão dialética. Esse cara sensacional simplesmente falou que a razão precisa surgir da soma de vários discursos. Assim, eu que tenho uma idéia X em contanto com você que defende uma posição Y temos que ver o que há de bom no pensamento de cada um e juntar os pontos fortes de sua argumentação com os da minha. Assim chegaremos a uma idéia XY, ou seja, mais completa.
Mas o que acontece é exatamente o contrário: eu procuro não pontos fortes, mas sim pontos fracos na sua argumentação para provar como o outro é burro, ou seja, saio do nível das idéias e vou para o pessoal. Isso quando eu escuto a opinião alheia, o mais simples é achar que o outro não fala nada de interessante e nos fecharmos no nosso mundinho com as nossas verdadezinhas.
Desse modo não estamos criando nada, não estamos acrescentando nada, estamos destruindo e perdendo grandes possibilidades de crescer. Não custa nada dizer: “realmente você tem razão, mas também há de convir ...” ou “Não tinha pensado por esse lado, mas não podemos deixar de pensar...” ou ainda “você tem toda razão, mas podemos acrescentar a esse ponto, tal ponto, etc.
Penso que não podemos perder a chance de sempre aprendermos algo, como disse em post anteriores considero a vida muito curta para perdemos tempo com questões mesquinhas. Sei que é difícil, é um exercício diário, somos criados e socializados para sermos sempre e demonstramos nossa inteligência, é doloroso para qualquer um de nós admitirmos que erramos, que nos enganamos, que o outro tem razão. Mas precisamos tentar sempre rever nossos pontos de vista e assim crescemos juntos com nossos interlocutores e fazê-los crescer também.
Nain-in , um mestre do periodo Meiji recebu um professor universitário, que veio perguntar-lhe sobre o Zen.
ResponderExcluirNain-in serviu o chá. encheu a taça do visitante e continuou enchendo. O professor observou como a taça transbordava e não podendo conter-se gritou:
- A taça está transbordando, não vês?
- Como essa taça, você também transborda de suas opiniões e especulações. Como posso ensinar-lhe Zen a menos que primeiro esvazies a taça?
Resumindo: achamos que temos sempre a razão e deixamos de aprender algo novo.
Valeu Axé! É isso mesmo meu irmão, vamos ser parceiros? Eu escrevo e você resume. Brilhante resumo mais uma vez. Muito obrigado!
ResponderExcluirTemos que aceitar as opiniões dos outros, concordar ou discordar, mas não achar que sempre está com a razão. E lembrem-se a cada dia temos a oportunidade de brilhar mais e mais unindo os nossos conhecimentos aos dos outros.
ResponderExcluirFranciane Luz
Com certeza Ciane. É por aí mesmo, é um exercício diário, pois é difícil aceitar que o outro tem razão, nossa natureza, por vezes, nos empurra na direção contrária, mas precisamos, temos o dever de fazer esse exercício, para sermos mais tolerantes.
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