
Vivemos em um mundo cada vez mais complexo, as cidades cresceram, as relações humanas foram fragmentadas e o “cimento” dessa nova sociedade são os Meios de Comunicação de Massa. Nós já não conseguimos saber o que ocorre nem em nosso bairro, quem dirá em nossa cidade.
Se eu fizer uma cagada em minha vizinha e só mudar algumas quadras e ninguém saberá do meu passado, estarei limpo de novo para se quiser me cagar de novo. Nesse novo ambiente em que ninguém conhece ninguém o único instrumento que nos dá segurança é o contrato.
Em uma sociedade simples, onde todos se conhecem, como, por exemplo, uma pequena cidade do interior, a coletividade fala mais alto. As pessoas sabem que se “sujarem” com o coletivo estarão condenados para sempre. Caso sejam rotulados de “veacos” já era, estão ferrados. Nas cidades grandes, isso ainda acontece em alguns bairros.
Essa confiança e esse conhecimento dispensam nessas sociedades o contrato. Os negócios nesses lugares são celebrados tendo como base “o fio do bigode”. A palavra dada é mais importante do que tudo, pois perdendo esta, se perde tudo.
Mas em uma sociedade em que os ciclos sociais se restringem a espaços: os amigos do trabalho, da rua. da faculdade, da igreja, e esses espaços não se comunicam, ou seja, não conhecemos as pessoas que moram ao nosso redor, o contrato ganha proeminência. Quem garante que o motorista que te leva ao trabalho não brigou na noite anterior com a esposa e está com uma vontade de jogar o veículo em uma ribanceira e matar a todos. Você confia no contrato que assinou com a empresa e por isso acredita que o motorista não fará isso, pois isso não condiz com o comportamento que estava descrito no contrato assinado.
Os contratos são tão importantes nessas sociedades que ele define até o tempo das relações humanas. Um semestre inteiro de discussões, aprendizados, trocas. Esse convívio termina com o final do semestre, quando expira o contrato. Acabado o contrato não há nada mais que aluno e professor cada um segue seu caminho, celebrando contratos com outras pessoas e tendo relações efêmeras com essas.
Quem acostuma-se com essas relações impessoais, contratuais, frias, efêmeras não se adapta quando se veem obrigadas a passarem algum tempo em cidades pequenas e vice-versa. O interessante é conhecer essas duas sociedades e saber porta-se em cada uma delas, gozando o que cada uma tem de melhor, a liberdade em uma e o calor humano e segurança de outra.
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