segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Dias sociais


O sol nasce e se põe todos os dias da mesma maneira, não importa se é segunda-feira, terça, quarta... Toda manhã ele aparece no leste nos rodeia (se bem que somos nós que giramos) e se esconde a oeste. É certo que os corpos celestes não estão nem aí para nossa folhinha do calendário, mas ao abrir a porta de nossa casa, cada dia da semana tem uma fisionomia distinta e percebemos no ato.
São os atributos sociais o que conferem aos dias uma personalidade. Domingos são mórbidos, preguiçosos, pois também assim o somos nesse dia. Segunda, volta ao trabalho, irritante, nervoso. Terça, entrando nos eixos, se entregando a rotina. Quarta, rotina total. Quinta, começar a afrouxar, pois sexta e sábado se aproxima e esses dias são da descontração geral, libertários, eufóricos. Sábado e chuva não combina não é mesmo?
Para exemplificar a força que os aspectos sociais exercem sobre os dias, basta falar que o sociólogo francês Émile Durkheim estudou a correlação entre sábado a noite e o número de suicídios na França. Nesse período da semana, a quantidade de suicídios dobrava em relação ao outros dias. A explicação a que o estudioso chegou traduzirei aqui.
Sábado a noite sociologicamente é o período da festa, da azaração, da curtição, imagine uma pessoa em casa, sozinha e vendo Zorra Total. Sociologicamente é o fim da picada, a pessoa não acha normal e fatalmente entrará em depressão e daí para os pulsos como solução é um pulo.
Os dias são sociais, ficar de bobeira, no domingo é normal, socialmente é aceitável, mas uma noite de sexta e/ou um sábado não é concebível. É uma pessoa sem amigos, sem vida social. Todos os fatos sociais a empurram nesse rumo de pensamento. Mas isso também representa uma defesa para o que chamo de Homo Comodus.
O ser humano não suporta viver stressado a todo o instante, ele quer se acomodar, achar que nada de mal irá acontecer, então ele cria a semana, a rotina, pois isso lhe dá conforto. Geralmente falamos e escutamos: mais um domingão chegando. Ora! Não é mais um domingo, ele é único na sua vida, quando passar não voltará mais, mas preferimos achar que será mais um, iguais a tantos outros, e que nada irá nos acontecer, doce ilusão, mas precisamos dela.
O homem odeia stress, se por uma semana fazemos o mesmo caminho, paramos de reparar nele, tanto é que se perguntar o que aconteceu na sua ida ao trabalho na terça-feira passada você não irá saber responder, ninguém consegue, a não ser que tenha ocorrido algo bem fora do comum, o cobrador ter se cagado, por exemplo.
Falaremos mais sobre a rotina e o automatismo das pessoas em outros posts, aguardem!

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