Segundo o naturalista Charles Darwin em seu livro A Origem das Espécies o ambiente natural seleciona as espécies mais aptas ao ambiente. Essa descoberta maravilhosa representou um grande passo na direção da compreensão de todo o processo evolutivo. Porém, há um animal que deu um salto gigantesco no processo evolutivo e conseguiu, de certo modo, burlar esse processo de seleção natural que foi o homem.
Poucos ou quase nenhum animal conseguem estar presentes em vários habitats como o ser humano, no Alasca ou no Saara, ao nível do mar ou em cidades localizadas a mais de 5000 mil metros de altura, lá estará um homem e nós conseguimos essa proeza devido sermos seres culturais.
Caso acordemos hoje na patagônia com uma temperatura de, por exemplo, zero grau e pegamos um avião rumo à Macapá onde a temperatura média ultrapassa os 35º, não precisamos passar por mutações em nosso aparelho biológico, não precisamos criar penas ou uma camada de pêlos, fato que levaria certamente milhões de anos. Não, nós criamos meios artificiais para nos adaptarmos ao ambiente e isso é cultura.
Os aspectos culturais estão intimamente ligados ao ambiente em que vivemos, assim quem vive na China desenvolve expedientes para adaptar-se àquele ambiente, o enorme contingente populacional, mais da metade do país composto por montanhas, isso tudo faz com que as pessoas comam cachorros, ratos, quase tudo que se mexe. Nos lugares frios, as pessoas desenvolvem roupas, habitações que a permitem sobreviverem sob àquelas condições que são diversas daqueles expedientes desenvolvidos por pessoas que vivem em outros lugares.
Atentemos que isso não ocorre somente em nível macro, nas pequenas ações podemos perceber esse entrelaçamento entre cultura e ambiente, por exemplo, o modo de dirigir em São Paulo e no Rio de Janeiro é mais agressivo que em outras capitais do país. Isso não quer dizer que são mais imprudentes, ruas estreitas, grande números de automóveis, isso faz com que os motoristas desses lugares sejam obrigados a serem mais ousados, caso contrário, não andam, lá se usina mais a buzina, por exemplo, aqui em Brasília, andamos semanas sem ouvir uma, mas o ambiente é totalmente diferente.
Essa intima relação entre cultura e ambiente também nos permite entender as mudanças culturais que ocorrem ao passar dos anos, isso acontece, pois os ambientes também mudam. Uma guerra, por exemplo, pode reduzir demais o número de homens em um determinado lugar e, portanto, a estrutura familiar passará por transformações. Voltemos a China: a política do filho único naquele país tem causado transformações importantes nas famílias daqueles país, pois aos poucos está se extinguindo as figuras do irmão, do tio, do primo e do cunhado. Sem dúvida é uma nova forma de convivência familiar.
É por isso que idéias saem de modo, verdades deixam de ser verdadeiras e novas são colocadas no lugar, comportamentos, padrões de estéticas, paradigmas caem por terra. Simplesmente o ambiente muda e requer do homem novos arranjos culturais. Como diz um poeta russo: eu não sou eu, sou as minhas circunstâncias, pois são elas e para responder a elas que eu tomo forma.
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