quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Avoa Besouro


Acabo de acompanhar o lançamento em Brasília do filme Besouro: nasce um Herói de João Daniel Tikhomiroff. Eu já esperava um grande filme, pois acompanho seu trailer desde meados de agosto, mas o que vi hoje me surpreendeu demais. Um roteiro perfeito, uma história bela e muito bem contada.
Os radicais podem afirmar que estamos querendo imitar o cinema norte-americano. Em partes, não posso deixar de concordar, realmente Besouro é uma super produção que não fica devendo em nada a qualquer produção de Holywood, câmera e fotografia perfeitas, diversos planos, enquadramentos, cortes e efeitos especiais que deixam qualquer pessoa entusiasmada.
Em resposta aos radicais digo que Besouro não imita ninguém, mas aproveita-se de uma linguagem já padronizada pelo público brasileiro para contar uma história que é nossa. Longas que contam histórias irreais e surreais de mutantes, samurais, super-heróis de quadrinhos arrecadam muito em solo brasileiro, então porque não utilizar essa linguagem para contar uma bela história sobre a capoeira e alguns pontos do universo simbólico da cultura afro que fazem parte da cultura brasileira?
A tempo, Besouro conta a história de Manoel, um rapaz que dedicou sua vida a aprender a arte dos mestres capoeiristas para combater os coronéis do Recôncavo Baiano. Manoel escolheu essa alcunha, pois queria ser como o inseto: ser preto e voar. A estória se passa em 1924, os negros não eram mais escravos, mas os donos de engenho ainda os tratavam como se ainda fossem, e a capoeira permitiu que eles lutassem contra esse estado de coisas.
Um outro positivo do filme que não podemos deixar de destacar é o fato de que a história dos perdedores nem sempre são alvo da historiografia oficial, o que temos contato é com a história dos brancos cristãos ocidentais. A história de índios, negros, loucos, putas e outras minorias são relegadas a obscuridade e permeadas de preconceitos.
O filme Besouro é uma porta, uma excelente porta que se abre para podermos adentrar e termos contato com a história dessa cultura que de certa forma virou amalgama da nossa cultura, mas se perdeu ao longo do caminho.
Antes do filme alguém conhecia a história de Besouro? Conhecíamos a história de outros heróis nacionais que por coincidência eram brancos cristãos. O único talvez que escape a essa descrição é o herói indígena São Sepé, que teve recentemente seu nome inscrito no livro dos heróis da pátria, mas mesmo assim São Sepé foi reconhecido porque lutou em favor das ideologias do país e não de seu povo. Devemos conhecer a história de Besouro, pois ele faz da história de seu povo e da nossa também.
Portanto, assim como o personagem do filme, desejo que o longa também “avoe” e muito, e assim leve a história e toda diversidade cultural brasileira para todo o mundo.
Acompanhe aqui o trailer do filme e a entrevista com o diretor João Daniel Tikhomiroff ao programa da TV Cultura Zoom.

2 comentários:

  1. Assisti o filme e gostei. Os filmes "Hollywoodianos" têm a ficção, a tecnologia, dentre outras coisas, ao seu favor e nós brasileiros não podemos aproveitar isso? Os americanos "sanguessungas" sempre fizeram isso, conquistaram ou tentaram conseguir de outros países as melhores oportunidades financeiras, as tecnologias, os alimentos, os combustiveis, dentre outras coisas.

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  2. Valeu Marcelão. Vamos fomentar a discussão.

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