sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aviso aos Boêmios


Queridos amigos quero avisa-los que estarei de férias ao longo do mês de dezembro, razão pela qual a atualização desse espaço ficará comprometida. Abraços a todos e boas festas. A partir do dia 12/01/10 atualizações normais.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Aviso aos Boêmios!


Queridos amigos, estou com dificuldades de atualizar esse espaço devido o excesso de trabalho. Espero conseguir voltar ao normal nos próximos dias.
Abraços a todos!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dica da Zona


Olá queridos amigos boêmios. Terça-feira é dia de Dica da Zona e essa semana faço uma homenagem ao meu maravilhoso Nordeste. E, portanto, entre os livros eu recomendo A Guerra do Fim do Mundo de Mario Vargas Llosa. Um livro maravilhoso que além de ensinar muito sobre a guerra de Canudos tem como pano de fundo o ambiente árido do agreste nordestino e os homens que compõem essa região. Leiam o comecinho da obra.

Filme – Entre os filmes, destaco Baixio das Bestas do diretor pernambucano Cláudio Assis. Contundente como todos os filmes de Assis, Baixio é uma análise ácida das relações sociais da zona da mata pernambucana. Os filhinhos da coronéis que estudam em Recife e voltam para o interior para explorar pobres meninas que em tudo na vida já são exploradas. Vejam o trailer.

Música – Para completar minha homenagem ao Nordeste brasileiro não poderia deixar de indicar o grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado. Um grupo que leva a poesia, a musicalidade nordestina a todo o país. Vale muito a pena. Dentre todas as excelentes músicas coloco aqui Chover. Música emblemática que prefiro não comentar. Escutem e tirem suas conclusões.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Combustível chamado felicidade


O que faz com que nos levantemos todos os dias de nossas queridas camas? Fé, objetivos, expectativas, dinheiro, obrigação, nossas pernas? Eu diria que um pouco de tudo isso, sem dúvida. Mas em minha visão, o principal fator para que suportemos nossas rotinas é a busca da felicidade.
O ser humano, sem exceção, corre, luta, transpira, xinga, trabalha, respira para ser feliz. A felicidade é o horizonte de nossas vidas. Enquanto há felicidade, suportamos qualquer coisa, e quando ela finda, não há mais nada que nos segure. Um casamento, por exemplo, é preciso que haja felicidade para que perdure.
Tive um professor, certa vez, que me confidenciou que se separou de sua primeira esposa por ter perdido a felicidade de estar com ela. Eles eram super amigos, mas não havia nenhum motivo para que continuassem casados, a felicidade tinha acabado. É como um emprego, por mais duro e desgastante que seja, enquanto há felicidade o suportamos.
Passei por isso entre 2003 e 2006. Trabalhava em um posto de saúde, em que todas as manhãs eu tinha uma enorme vontade de chorar só de pensar em ir para lá. E foi aí que tive minha segunda certeza: além de sermos incapazes de viver sem tesão, é preciso haver esperança de que as coisas mudem.
Meu tesão por aquele serviço havia terminado completamente, era uma penitência, um sacrifício ir para aquele lugar, encontrar a minha limitada e chata chefe, atender a um público idem. Mas o que me deixava mais baixo astral era não ter esperança de que as coisas mudassem, até que consegui passar em um estágio e sai definitivamente daquele lugar. Assim como alguém super cansado que sabe que no dia seguinte poderá acordar tarde, o homem até consegue viver por um período infeliz, mas ele tem que acreditar que amanhã as coisas mudarão.
É bom trabalhar em um lugar com pessoas legais e fazendo o que gosta. Pode aos olhos de outrem ser um serviço chato, pesado, mas quando se está feliz suportamos e o fazemos com prazer. Há um livro de Albert Camus chamado A Peste, em que um médico está nos meios dos doentes, em uma cena dura e um de seus assistentes, pergunta a ele o porquê de estar ali, se expondo ao contágio, lutando por vidas de que nem conhece, vitimados por uma peste implacável. O médico responde a seu assistente que o motivo é a felicidade, ele é feliz se achando útil àquelas pessoas, se não houvesse felicidade, não teria nada para fazer naquele lugar.
Estendamos o nosso pensamento ao limite. É possível morrer de tristeza? Sim, sem dúvida, há inúmeros relatos de escravos negros e indígenas que morriam de tristeza no Brasil Colônia. A vida para essas pessoas eram tão dura, tão sem esperança, que eles se prostravam no fundo de uma rede e se deixavam morrer. Era os que os colonizadores chamavam de banto que não era mais nada que tristeza, depressão aguda.
Seguindo nossa linha de raciocínio que estamos desenvolvendo desde os primeiros textos aqui postados é preciso ter em mente que a felicidade não é a mesma para todas as pessoas. Para uns, a felicidade é trabalhar, para outros é irem à Igreja, outros um estádio de futebol, outros é irem a um barzinho com os colegas, e assim vai. Portanto, quando vermos aqueles caras chatos, insuportáveis lembremos: ele só que ser feliz.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Sociedade do Contrato


Vivemos em um mundo cada vez mais complexo, as cidades cresceram, as relações humanas foram fragmentadas e o “cimento” dessa nova sociedade são os Meios de Comunicação de Massa. Nós já não conseguimos saber o que ocorre nem em nosso bairro, quem dirá em nossa cidade.
Se eu fizer uma cagada em minha vizinha e só mudar algumas quadras e ninguém saberá do meu passado, estarei limpo de novo para se quiser me cagar de novo. Nesse novo ambiente em que ninguém conhece ninguém o único instrumento que nos dá segurança é o contrato.
Em uma sociedade simples, onde todos se conhecem, como, por exemplo, uma pequena cidade do interior, a coletividade fala mais alto. As pessoas sabem que se “sujarem” com o coletivo estarão condenados para sempre. Caso sejam rotulados de “veacos” já era, estão ferrados. Nas cidades grandes, isso ainda acontece em alguns bairros.
Essa confiança e esse conhecimento dispensam nessas sociedades o contrato. Os negócios nesses lugares são celebrados tendo como base “o fio do bigode”. A palavra dada é mais importante do que tudo, pois perdendo esta, se perde tudo.
Mas em uma sociedade em que os ciclos sociais se restringem a espaços: os amigos do trabalho, da rua. da faculdade, da igreja, e esses espaços não se comunicam, ou seja, não conhecemos as pessoas que moram ao nosso redor, o contrato ganha proeminência. Quem garante que o motorista que te leva ao trabalho não brigou na noite anterior com a esposa e está com uma vontade de jogar o veículo em uma ribanceira e matar a todos. Você confia no contrato que assinou com a empresa e por isso acredita que o motorista não fará isso, pois isso não condiz com o comportamento que estava descrito no contrato assinado.
Os contratos são tão importantes nessas sociedades que ele define até o tempo das relações humanas. Um semestre inteiro de discussões, aprendizados, trocas. Esse convívio termina com o final do semestre, quando expira o contrato. Acabado o contrato não há nada mais que aluno e professor cada um segue seu caminho, celebrando contratos com outras pessoas e tendo relações efêmeras com essas.
Quem acostuma-se com essas relações impessoais, contratuais, frias, efêmeras não se adapta quando se veem obrigadas a passarem algum tempo em cidades pequenas e vice-versa. O interessante é conhecer essas duas sociedades e saber porta-se em cada uma delas, gozando o que cada uma tem de melhor, a liberdade em uma e o calor humano e segurança de outra.

Aviso aos Boêmios!


Queridos amigos boêmios, queria avisar que não esqueci nosso compromisso de levarmos conversas interessantes. O acúmulo de trabalho não permitiu que eu postasse nada. Mas em breve teremos novidades.
Abraços a todos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Dica da Zona


Olá amigos boêmios! Hoje é terça-feira e esse é o dia da semana reserva dicas de livros, filmes e músicas. Em matéria de obra literária minha sugestão de livro é a obra de Gabriel Garcia Márquez, Cem Anos de Solidão. Um livro brilhante, sensacional, mitológico, gostoso de ler. Nele Garcia Márquez deixa sua imaginação solta e nos leva a sonhar também. Vale muito a penas ler. Para fazer o download dessa obra clique aqui.

Filme – Minha dica para essa semana é o excelente filme Os 12 Trabalhos de Ricardo Elias. Um jovem que passou dois anos na FEBEM, tendo que provar que é digno de uma chance e para conseguir um emprego de Motoboy tem que realizar doze entregas e nessas obrigações tudo pode acontecer. Veja o trailer.

Música – Não posso não render homenagem nesse espaço a uma canção simplesmente bela. Domingo no Parque de Gilberto Gil une uma letra muito legal, a um ritmo brilhante. Feche os olhos, deixe-se levar pela letra e pelo ritmo e verás um circulo, uma briga, uma faca. Nota dez. Ouça.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ato falho


Uma coisa tenho certeza. De que é impossível para qualquer ser humano fugir de sua própria essência. Podemos representar sermos algo que não somos, mas não por muito tempo, mais cedo ou mais tarde cometemos um ato falho e entregamos aquilo que realmente somos e pensamos, nossa essência aprisionada por nós explode e fala mais alto.
E porque isso acontece? Simplesmente porque somos um discurso composto por vários textos. O mundo é formado por discursos que são compostos por vários textos e texto é tudo aquilo que possui expressão, estrutura e delimitação. A expressão é variável, mas a estrutura é aquilo que define o texto tal qual ele é.
Para tornar mais claro, recorreremos a um exemplo, uma casa é um discurso, pois discurso é tudo aquilo moldado a fazer sentido a alguém, e o modo como uma casa é construída faz sentido a alguém que de cara reconhece como casa. Ela é composta por textos que são os cômodos e cada texto possui sua expressão, sua estrutura e sua limitação.
Expressão é o modo como o texto se mostra, a estrutura é o que define como tal e a delimitação são suas fronteiras que permite confrontá-lo com os outros textos. Voltando ao exemplo, o banheiro é um texto do discurso casa, então ele possui uma expressão, a cor das paredes, o piso do chão, os azulejos, a cor das louças, isso pode mudar e continuará sendo banheiro.
Esse cômodo também possui uma estrutura, a pia em um canto, a privada em outro, o chuveiro e a banheira. Existe banheiro sem privada? Pode existir, mas com certeza não será mais um banheiro, será uma sala de banho. A estrutura não pode mudar, pois a coisa se transforma em outra. Um carro sem pneus? A propulsão a ar? Pode, mas com certeza a estrutura já estará tão modificada que não será mais um carro e sim uma nave espacial. A delimitação nos indica até onde vai o banheiro e aonde começa outro texto, a cozinha, por exemplo.
Essas três dimensões lógico que estão presente em nós, pois como afirmei somos um discurso composto por textos. Nossa expressão é a roupa que vestimos, o penteado do cabelo, ou seja, como nos queremos nos mostrar, casual, desleixado, responsável. Isso podemos controlar.
Como seres organizados por textos e compondo também um texto, também possuímos uma estrutura e essa é imutável, podemos mudar a nossa roupa, mas continuamos a sermos nós, com todas nossas crenças, ideologias, medos, angústias, petulância, orgulho, vaidade e toda sorte de sentimento, e isso não podemos mudar, se mudarmos nós transformamos em outra pessoa, em alguém diferente e isso é processo difícil, doloroso e que não acredito que possa ocorrer totalmente. Um resquício da velha estrutura permanece e a qualquer momento ela explode e expõe tudo aquilo que tentamos esconder a sete chaves.
Talvez seja por isso que aceitamos ter defeitos, até os reconhecemos, dizemos para nós mesmo que precisamos melhorar e outras besteiras mais que nunca fazemos, aceitamos tudo isso, mas não aceitamos que ninguém nos aponte eles. Quando outra pessoa nos joga na cara defeitos que sabemos ser nossos dói demais. Acredito que a dor desse momento provem muito mais de nos acharmos expostos a outrem do que do nosso defeito em si. Afinal, fomos pegos no flagra, nossa mascará caiu, a pintura linda do banheiro caiu e vemos nossas vísceras, a tubulação do nosso esgoto exposta.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Realidade e prosa


Há um livro que eu gostei muito de ler e aprendi muito com ele. O título é Amor, Poesia e Sabedoria, seu autor: Edgar Morin. Entre outras coisas, o pensador afirma que a vida tem duas dimensões, a que ele chama de poética e prosaica. A vida prosaica seria o ramerrão de Guimarães Rosa, ou seja, a rotina, o trabalho e a dimensão poética seria o sonho, o amor. Só aguentamos a vida prosaica devido a esses intervalos poéticos.
Sem dúvida, analisando alguns fatos, percebemos que Morin tem razão ao colocar isso, pois o ser humano está sempre criando meios para fugir da realidade que o pressiona e o endurece. Esses meios são o sonho, os jogos e as brincadeiras e as substâncias químicas, alucinógenas.
Quando sonhamos, nos depreendemos de nossa realidade, do nosso dia-a-dia, nele podemos tudo, somos capazes de voar, falar tudo o que pensamos, bater, xingar, a mulher que desejamos é nossa, o galã da novela é nosso amigo e olham para mulheres normais. E isso é algo natural, o nosso próprio aparelho biológico nos dá essa possibilidade.
Mas para o homem é pouco, ele cria também artificialmente meios que o possibilitem fugir da vida que levam. Por isso, as crianças levam tão a sério as brincadeiras, ali é uma simulação da guerra adulta, ganhar uma brincadeira é um modo de subjugar o adversário, se sentir o vencedor, o bom e esses são sentimentos que não nos acompanham diariamente. Os jogos funcionam de modo similar para os adultos.
A química também auxilia o ser humano na criação desses pontos de fuga. Em todas as culturas, em todos os tempos, o homem sempre teve o auxilio de substâncias alucinógenas que o permitissem suportar a dura realidade. O Cauim indígena, o saquê feito de arroz japonês, o rum dos piratas, o ópio chinês, a cachaça brasileira, a maconha, a cocaína, a heroína, o moderno e caro êxtase, o barato crak, todas as culturas, todas as camadas sociais têm e contam com esses artifícios.
O ser humano nunca parece contente com sua realidade, uns se incomodam por serem gordos, outros por serem magros, por serem brancos, por serem negros, por terem um nariz grande, por terem um pau pequeno, por serem peludos, por suarem demais, por serem carecas. Um tira o sarro do outro por um motivo e se sente infeliz por um motivo, criando uma sociedade de rejeitados, onde a fuga é o caminho que o resta.
E tudo é fuga, não criemos ilusão. A igreja é uma fuga, a procura de um sustento para resistir a dura realidade. Cada um tem seu modo, uns mais agressivos sem dúvida, mas são pontos de fuga do mesmo jeito. Sempre encarei a frase de Marx de que a religião é o ópio do povo, como sendo a religião como algo que entorpece as pessoas e as impedem de lutar. Hoje vejo um novo sentido, a religião é o ópio do povo, pois também é uma fuga.
O que quero dizer com esse texto, é que mecanismos de fuga existem, são necessários e mais, é algo inerente ao homem, todos temos os nossos, alguns perversos como as drogas, mas quem somos para apontar o dedo inquisidor a essas pessoas. Porém, mesmo sabendo que isso é inerente, temos que sermos fortes e estarmos preparados para a dimensão prosaica da vida, saber que os momentos poéticos são apenas pilastras para resistirmos ao dia-a-dia, apenas isso. Não podemos viver apenas de sonhos e poesia, assim como não podemos viver apenas de prosa e realidade

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Seleção Cultural


Segundo o naturalista Charles Darwin em seu livro A Origem das Espécies o ambiente natural seleciona as espécies mais aptas ao ambiente. Essa descoberta maravilhosa representou um grande passo na direção da compreensão de todo o processo evolutivo. Porém, há um animal que deu um salto gigantesco no processo evolutivo e conseguiu, de certo modo, burlar esse processo de seleção natural que foi o homem.
Poucos ou quase nenhum animal conseguem estar presentes em vários habitats como o ser humano, no Alasca ou no Saara, ao nível do mar ou em cidades localizadas a mais de 5000 mil metros de altura, lá estará um homem e nós conseguimos essa proeza devido sermos seres culturais.
Caso acordemos hoje na patagônia com uma temperatura de, por exemplo, zero grau e pegamos um avião rumo à Macapá onde a temperatura média ultrapassa os 35º, não precisamos passar por mutações em nosso aparelho biológico, não precisamos criar penas ou uma camada de pêlos, fato que levaria certamente milhões de anos. Não, nós criamos meios artificiais para nos adaptarmos ao ambiente e isso é cultura.
Os aspectos culturais estão intimamente ligados ao ambiente em que vivemos, assim quem vive na China desenvolve expedientes para adaptar-se àquele ambiente, o enorme contingente populacional, mais da metade do país composto por montanhas, isso tudo faz com que as pessoas comam cachorros, ratos, quase tudo que se mexe. Nos lugares frios, as pessoas desenvolvem roupas, habitações que a permitem sobreviverem sob àquelas condições que são diversas daqueles expedientes desenvolvidos por pessoas que vivem em outros lugares.
Atentemos que isso não ocorre somente em nível macro, nas pequenas ações podemos perceber esse entrelaçamento entre cultura e ambiente, por exemplo, o modo de dirigir em São Paulo e no Rio de Janeiro é mais agressivo que em outras capitais do país. Isso não quer dizer que são mais imprudentes, ruas estreitas, grande números de automóveis, isso faz com que os motoristas desses lugares sejam obrigados a serem mais ousados, caso contrário, não andam, lá se usina mais a buzina, por exemplo, aqui em Brasília, andamos semanas sem ouvir uma, mas o ambiente é totalmente diferente.
Essa intima relação entre cultura e ambiente também nos permite entender as mudanças culturais que ocorrem ao passar dos anos, isso acontece, pois os ambientes também mudam. Uma guerra, por exemplo, pode reduzir demais o número de homens em um determinado lugar e, portanto, a estrutura familiar passará por transformações. Voltemos a China: a política do filho único naquele país tem causado transformações importantes nas famílias daqueles país, pois aos poucos está se extinguindo as figuras do irmão, do tio, do primo e do cunhado. Sem dúvida é uma nova forma de convivência familiar.
É por isso que idéias saem de modo, verdades deixam de ser verdadeiras e novas são colocadas no lugar, comportamentos, padrões de estéticas, paradigmas caem por terra. Simplesmente o ambiente muda e requer do homem novos arranjos culturais. Como diz um poeta russo: eu não sou eu, sou as minhas circunstâncias, pois são elas e para responder a elas que eu tomo forma.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Dica da Zona


Olá galera amiga. Hoje é terça-feira, dia da Dica da Zona. Para essa semana, o livro que sugiro é o Tempo e o Vento de Érico Veríssimo. Uma obra completa, linda, magnífica. Uma obra que traduz perfeitamente a frase: “para ser universal é preciso ser local”, pois com essa obra em que falou de sua terra e de sua gente, o povo e a história do Rio Grande Sul, Érico sem dúvida atingiu a universalidade. Brilhante, vale a pena ler cada uma das mais de 2000 páginas que compõem essa linda obra. Leiam a uma análise da obra.

Filme – Essa semana minha sugestão de filme é o poético e realista Casa de Alice de Chico Teixeira que com muita naturalidade conseguiu através do olhar cinematográfico mostrar o dia-a-dia de uma típica família classe C brasileira. A mulher que trabalha, os filhos que são criados pela avó, o marido que já não olha mais para ela culminando no desejo que essa mulher tem de voltar a ser amada e desejada. Veja o trailer.

Música – Caros amigos essa semana estava, como diz meu pai “cutucando no computador” e encontrei uma música que adoro e mais: encontrei um vídeo raro da apresentação dessa linda canção chamada de Disparada do Jair Rodrigues. Acompanhe aqui a música e o vídeo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Dias sociais


O sol nasce e se põe todos os dias da mesma maneira, não importa se é segunda-feira, terça, quarta... Toda manhã ele aparece no leste nos rodeia (se bem que somos nós que giramos) e se esconde a oeste. É certo que os corpos celestes não estão nem aí para nossa folhinha do calendário, mas ao abrir a porta de nossa casa, cada dia da semana tem uma fisionomia distinta e percebemos no ato.
São os atributos sociais o que conferem aos dias uma personalidade. Domingos são mórbidos, preguiçosos, pois também assim o somos nesse dia. Segunda, volta ao trabalho, irritante, nervoso. Terça, entrando nos eixos, se entregando a rotina. Quarta, rotina total. Quinta, começar a afrouxar, pois sexta e sábado se aproxima e esses dias são da descontração geral, libertários, eufóricos. Sábado e chuva não combina não é mesmo?
Para exemplificar a força que os aspectos sociais exercem sobre os dias, basta falar que o sociólogo francês Émile Durkheim estudou a correlação entre sábado a noite e o número de suicídios na França. Nesse período da semana, a quantidade de suicídios dobrava em relação ao outros dias. A explicação a que o estudioso chegou traduzirei aqui.
Sábado a noite sociologicamente é o período da festa, da azaração, da curtição, imagine uma pessoa em casa, sozinha e vendo Zorra Total. Sociologicamente é o fim da picada, a pessoa não acha normal e fatalmente entrará em depressão e daí para os pulsos como solução é um pulo.
Os dias são sociais, ficar de bobeira, no domingo é normal, socialmente é aceitável, mas uma noite de sexta e/ou um sábado não é concebível. É uma pessoa sem amigos, sem vida social. Todos os fatos sociais a empurram nesse rumo de pensamento. Mas isso também representa uma defesa para o que chamo de Homo Comodus.
O ser humano não suporta viver stressado a todo o instante, ele quer se acomodar, achar que nada de mal irá acontecer, então ele cria a semana, a rotina, pois isso lhe dá conforto. Geralmente falamos e escutamos: mais um domingão chegando. Ora! Não é mais um domingo, ele é único na sua vida, quando passar não voltará mais, mas preferimos achar que será mais um, iguais a tantos outros, e que nada irá nos acontecer, doce ilusão, mas precisamos dela.
O homem odeia stress, se por uma semana fazemos o mesmo caminho, paramos de reparar nele, tanto é que se perguntar o que aconteceu na sua ida ao trabalho na terça-feira passada você não irá saber responder, ninguém consegue, a não ser que tenha ocorrido algo bem fora do comum, o cobrador ter se cagado, por exemplo.
Falaremos mais sobre a rotina e o automatismo das pessoas em outros posts, aguardem!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Gostar do que não presta


A afirmação com a qual começo este texto é possível? É plausível gostar daquilo que é ruim? Ao meu modo de ver a resposta é afirmativa. Gostar tem a ver com a emoção e o bom e o ruim tem a ver com a razão. Sem dúvida, temos a tendência de gostar do que é bom, pois em filosofia estética antecede a ética. Sim, pois primeiro percebemos para depois entender.
Às vezes compramos algo que depois percebemos que não valeu o investimento, mas que em um primeiro momento gostamos muito. Somente os sábios gregos procuraram definir o gosto de um modo racional. Para isso criaram até uma medida áurea para designar o belo, e afirmaram que o bonito é simétrico. Mas, sinceramente, nunca vi ninguém com um metro procurando as medidas de um vestido, a não ser para saber se caba no corpo ou não.
Temos que ter essa noção muito clara, gostar é emoção, bom e ruim é juízo de valor e para tanto é preciso algum tempo para certa análise, e porque precisamos ter isso claro em nós? Para não fazer papel de bobo, ignorante. Há muitas pessoas que falam tal música, estilo musical, filme, livro, cantor, autor, diretor é ruim, não gosto dele.
Ora, não gostar é um direito que cada um tem, agora falar que tal coisa ruim é preciso conhecer. Eu não gosto de música instrumental isso é fato. Mas não posso negar que é brilhante a capacidade de harmonizar cada um instrumento para formar um conjunto que leve a quem escuta uma sensação agradável, é interessante notar cada instrumento em separado, é até gostoso, reconheço, mas mesmo assim não gosto, não mexe comigo, não tenho paciência, mas de modo algum posso falar que é ruim, isso seria demonstrar uma ignorância total ou nos dizeres de um amigo meu: passar atestado de burrice.
E como gostar está no nível da sensação, cada pessoa sente e vê o mundo e os signos que a rodeia de um modo próprio. Uma canção mexe comigo por determinadas razões, meramente, pessoais e essas razões podem não fazer parte do universo e não mexer com ele. E isso, ter essa clareza, no meu modo ver, é mais um passo no caminho da tolerância, aceitação das diferenças e do outro.
Existem pessoas que chegam a brigar se alguém critica seu lugar de origem. Ora, minha cidade representa uma história para mim, ela é mais que um mero ponto geográfico, é um lugar. Mas para o outro é apenas mais uma cidade e ele tem todo o direito de achar defeitos, de não gostar. Claro, que ele pode não gostar, mas falar que o lugar é ruim é necessário que ele o conheça.
Conhecendo que gostar é uma coisa e achar bom é outra coisa, podemos ter clareza em criticar aquilo que gostamos sem aquela culpa que geralmente nos acomete nesses casos, pois sei que a coisa apresenta defeitos, os reconheço, mas mexe comigo de uma forma que eu não posso deixar de gostar.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Aviso aos Boêmios!


Devido ao excesso de trabalho não haverá possibilidade de atualização do blog hoje. Voltaremos com a nossa prosa amanhã.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Dica da Zona


Hoje é terça-feira! Dia da dica da zona e para essa semana recomendo o Livro Adeus China, de Li Cuxin. Um livro encantador, pois mostra que não devemos nos abalar antes os desafios que a vida nos impõe. Cuxin, garoto pobre de uma modesta província chinesa vai para Pequim e supera a solidão, a saudade e, sobretudo, a dor para torna-se um bailarino consagrado. Leia aqui um trecho dessa linda obra.

Filme – Em relação a filmes recomendo Estômago, de Marcos Jorge. Excelente filme, ganhou o prêmio de melhor filme nacional de 2008. Uma história bem contada, que prende o telespectador até o final. Vale muito a pena conferir. Veja o trailer.

Música – Essa semana recomendo mais uma do Zeca Baleiro, mais uma de seu último álbum O Coração do Homem Bomba. O nome da canção é Trova (Aonde Flores). Não falarei nada sobre a música, apenas que é linda demais. Ouçam e tirem suas conclusões

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Erro Nosso de Cada Dia


Costumo dizer a todos que me conhecem que tenho vários defeitos e faço questão de alimentá-los, pois eles fazem de mim humano. O erro, em minha opinião, é a maior prova de que somos feitos de carne e osso. Por essa razão, lhes pergunto: porque então somos tão implacáveis com os erros? Por que um erro pode anular dez acertos?
Como diz um professor meu, é mais fácil ser errado do que ser certinho, para errar não precisamos fazer nada, mas para sermos correto é preciso disciplina, nos policiar e, sobretudo, lutar bravamente contra nossa natureza. Precisamos entender que a perfeição é divina, que somos falhos, que aquilo que pensamos e desejamos pode não acontecer, que maravilha se o erro não existisse. Mas ele existe!
Ou não, não seria tão maravilhoso assim, pois é erro que nos fazem melhores, que faz a gente procurar o acerto, que nos traz de volta a condição de humanos, meros mortais. Sem contar que o erro para um é um acerto para outro. Algo que não dê certo na minha vida, dará na vida de outro e vice-e-versa. Se todos nós acertássemos, se não houvesse falhas no meu caminho, se o time de todos fosse o campeão, não teria como haver disputa, pois não é possível que todos ganhem todas as partidas, é preciso que exista um perdedor.
Ter essas questões em mente e fundamental para que não fiquemos tão alegres quando estivermos por cima, que não fiquemos prepotentes e nem arrasados demais quando as coisas estiverem indo mal. É preciso ter consciência que somos falhos, falíveis. Eu posso errar, as coisas que planejei podem tomar um rumo que eu não previa.
E a culpa por isso, por mais que doa é minha, exclusivamente, minha. Eu não planejei direito, não cumpri as etapas que havia planejado ou mesmo desisti no meio do caminho. A culpa não é dos outros, nada de “olho gordo”, “inveja” ou outras coisas do tipo.
Precisamos ser humildes para admitir que erramos, procurar acertar sempre, mas estarmos preparados para o erro. Não podemos ser prepotentes para querer achar um culpado pelo que dá errado em nossa vida. E vamos viver, com os acertos e erros, as vitórias e derrota, dando o mesmo peso para essas duas faces da mesma moeda

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Reféns do Medo e da Ideologia


Mais uma vez vemos notícias vindas dos EUA dando conta de mais ataques de loucos a pessoas inocentes, dessa vez os alvos foram uma base militar e um escritório. Como explicar que uma nação tão rica e poderosa como os Estados Unidos seja constantemente abalado por casos assim? Eu não sou nenhum analista internacional, mas já li algumas coisas que quero compartilhar com vocês.
Primeiro analisamos a questão do medo. Considero todo yanke meio paranóico e isso está relacionado ao processo de colonização e política externa desse país. A colonização daquele país foi feita, sobretudo, por protestantes calvinistas que eram duramente perseguidos pelos católicos europeus.
O medo fez com que essas pessoas fugissem e procurassem se instalar em um lugar que encontrassem paz. Mas ao chegar ao novo mundo a ameaça passou a ser os índios. Daí vem a explicação que o porte de armas é um direito garantido pela constituição daquele país, era preciso defender-se, pois não havia Estado formado e era cada um por si. Quando dizimaram todos os índios, a política externa que garantiram a riqueza da nação causou descontentamento nos outros países. O medo de ataques terroristas, a guerra fria, a iminência da guerra fria, o perigo de explodir uma terceira guerra mundial, agora uma guerra nuclear, todos esses fatos foram forjando o terror nesse povo.
Outro ponto que não podemos deixar de ressaltar, os EUA é um recorte de etnias. Ao contrário do Brasil em que os diversos povos e raças se mesclaram, naquele país eles ficaram reclusos em guetos. Assim, em cada cidade, cada estado, há o território dos brancos, dos árabes, dos negros, dos hispânicos, dos asiáticos e cada um desses guetos se afirmam negando o outro grupo. Assim, os árabes se acham melhores do que os hispânicos que se veem melhores que os asiáticos que se consideram melhores que os negros, e assim por diante em ciclo vicioso interminável de preconceito, submissão, raiva, ódio, medo, fomentado a desconfiança e a paranóia.
Por enquanto abordamos a formação do povo, agora é a vez de vermos a questão ideológica daquela nação. Naquele país sempre propagou-se a idéia de que ali é a terra das oportunidades, em que todos podem ficar ricos, mas o sistema econômico nunca pode comportar a todos e nos últimos anos esse quadro só vem piorando, o número de desempregado só vem aumentando, então essas pessoas se perguntam: cadê a minha oportunidade? Que sistema é esse que me exclui? E aí vem a revolta contra quem o demitiu. Contra aquele que permitiu manter seu alto padrão de vida. Contra o estrangeiro que está em seu lugar.
E esses fatores vão transformando uma nação que é motivo de inveja, em uma nação de coitados, paranóicos e doentes. A mercê de um doido e de uma arma. E esse maluco pode ser homens bombas vindos do oriente médio, mas também pode ser o vizinho demitido a semana passada, o garoto vítima de trotes, o chinês, o hispanico

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Avoa Besouro


Acabo de acompanhar o lançamento em Brasília do filme Besouro: nasce um Herói de João Daniel Tikhomiroff. Eu já esperava um grande filme, pois acompanho seu trailer desde meados de agosto, mas o que vi hoje me surpreendeu demais. Um roteiro perfeito, uma história bela e muito bem contada.
Os radicais podem afirmar que estamos querendo imitar o cinema norte-americano. Em partes, não posso deixar de concordar, realmente Besouro é uma super produção que não fica devendo em nada a qualquer produção de Holywood, câmera e fotografia perfeitas, diversos planos, enquadramentos, cortes e efeitos especiais que deixam qualquer pessoa entusiasmada.
Em resposta aos radicais digo que Besouro não imita ninguém, mas aproveita-se de uma linguagem já padronizada pelo público brasileiro para contar uma história que é nossa. Longas que contam histórias irreais e surreais de mutantes, samurais, super-heróis de quadrinhos arrecadam muito em solo brasileiro, então porque não utilizar essa linguagem para contar uma bela história sobre a capoeira e alguns pontos do universo simbólico da cultura afro que fazem parte da cultura brasileira?
A tempo, Besouro conta a história de Manoel, um rapaz que dedicou sua vida a aprender a arte dos mestres capoeiristas para combater os coronéis do Recôncavo Baiano. Manoel escolheu essa alcunha, pois queria ser como o inseto: ser preto e voar. A estória se passa em 1924, os negros não eram mais escravos, mas os donos de engenho ainda os tratavam como se ainda fossem, e a capoeira permitiu que eles lutassem contra esse estado de coisas.
Um outro positivo do filme que não podemos deixar de destacar é o fato de que a história dos perdedores nem sempre são alvo da historiografia oficial, o que temos contato é com a história dos brancos cristãos ocidentais. A história de índios, negros, loucos, putas e outras minorias são relegadas a obscuridade e permeadas de preconceitos.
O filme Besouro é uma porta, uma excelente porta que se abre para podermos adentrar e termos contato com a história dessa cultura que de certa forma virou amalgama da nossa cultura, mas se perdeu ao longo do caminho.
Antes do filme alguém conhecia a história de Besouro? Conhecíamos a história de outros heróis nacionais que por coincidência eram brancos cristãos. O único talvez que escape a essa descrição é o herói indígena São Sepé, que teve recentemente seu nome inscrito no livro dos heróis da pátria, mas mesmo assim São Sepé foi reconhecido porque lutou em favor das ideologias do país e não de seu povo. Devemos conhecer a história de Besouro, pois ele faz da história de seu povo e da nossa também.
Portanto, assim como o personagem do filme, desejo que o longa também “avoe” e muito, e assim leve a história e toda diversidade cultural brasileira para todo o mundo.
Acompanhe aqui o trailer do filme e a entrevista com o diretor João Daniel Tikhomiroff ao programa da TV Cultura Zoom.

Somar para Crescer


Nos últimos anos, uma pergunta me acompanha ao longo dos dias: porque a maioria das pessoas é incapaz de discutir idéias? Na Universidade, vários colegas não conseguiam debater nenhum assunto, simplesmente pelo fato de que essas pessoas queriam ser sempre unânimes, e a simples discordância por algum colega de suas representava uma ofensa mortal.
Será difícil entender que não concordar com você não representa que eu não goste de você? Não concordo com suas idéias, ataco suas idéias, tão somente elas, mas posso reconhecer que você é uma grande pessoa. E Aqui, também reside outra dificuldade: reconhecer pontos positivos em um discurso que difere do meu.
O filosofo alemão Jürgen Habermas criou um conceito interessante que deu o nome de Ação Comunicativa, centrada na idéia da razão dialética. Esse cara sensacional simplesmente falou que a razão precisa surgir da soma de vários discursos. Assim, eu que tenho uma idéia X em contanto com você que defende uma posição Y temos que ver o que há de bom no pensamento de cada um e juntar os pontos fortes de sua argumentação com os da minha. Assim chegaremos a uma idéia XY, ou seja, mais completa.
Mas o que acontece é exatamente o contrário: eu procuro não pontos fortes, mas sim pontos fracos na sua argumentação para provar como o outro é burro, ou seja, saio do nível das idéias e vou para o pessoal. Isso quando eu escuto a opinião alheia, o mais simples é achar que o outro não fala nada de interessante e nos fecharmos no nosso mundinho com as nossas verdadezinhas.
Desse modo não estamos criando nada, não estamos acrescentando nada, estamos destruindo e perdendo grandes possibilidades de crescer. Não custa nada dizer: “realmente você tem razão, mas também há de convir ...” ou “Não tinha pensado por esse lado, mas não podemos deixar de pensar...” ou ainda “você tem toda razão, mas podemos acrescentar a esse ponto, tal ponto, etc.
Penso que não podemos perder a chance de sempre aprendermos algo, como disse em post anteriores considero a vida muito curta para perdemos tempo com questões mesquinhas. Sei que é difícil, é um exercício diário, somos criados e socializados para sermos sempre e demonstramos nossa inteligência, é doloroso para qualquer um de nós admitirmos que erramos, que nos enganamos, que o outro tem razão. Mas precisamos tentar sempre rever nossos pontos de vista e assim crescemos juntos com nossos interlocutores e fazê-los crescer também.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aviso aos Boêmios


Devido ao excesso de trabalho não houve possibilidade de atualização nesta quarta-feira. Novas postagens e conversas de botequim amanhã.
Valeu galera!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Verdade é felicidade


Lidos alguns valorosos comentários de meus queridos amigos e leitores percebo que tive um pouco de dificuldades em colocar minhas idéias sobre a verdade. Por essa razão, pensei em escrever esse texto. Em minha visão, a verdade tem tudo e em alguns representa a felicidade.
Acreditamos naquilo que pensamos nos trará felicidade ou de algum modo nos fará felizes. E para ficar claro sobre a relatividade da verdade, pergunto aos caros amigos. Será que a felicidade é a mesma para todos? O que me faz feliz, necessariamente fará o outro feliz? Acredito que a opinião seja unânime e reconheça que não. O que deixam as pessoas felizes não é de modo algum uniforme.
Com isso não afirmo que não exista felicidade, existe sim, mas assim como verdade não é única, a felicidade também. Assim como gosto de MPB, muitas pessoas amam Rock pesado, outras RAP e Funk. Gosto de MPB, pois meu meio facilitou a entrada desse som na vida e ele me faz feliz, pois me liga de um certo modo as coisas que me identificam e identificam coisas que gosto Com certeza, isso ocorre com quem gosta de outros tipos musicais.
Então, quem sou eu para impor o meu gosto às outras pessoas? O meio, os fatos, o processo de socialização que me fizeram ter uma identificação com a MPB pertence a mim e não a outra pessoa, assim como os meios referentes a outra pessoa pertence a ela e somente a ela.
Não podemos nos esquecer se para nós os outros são os outros, para eles os outros somos nós, então não posso esquecer de que se eu acho fulano um babaca, ele pode me achar tão ou mais babaca. Não podemos ser egocentristas ao pensar que somos perfeitos, que nossas verdades são únicas e que o quê nos faz feliz, fará todo mundo feliz. Quando conseguirmos ter isso em mente, quem sabe seremos mais tolerantes.
Com isso fecho esse texto na expectativa de que minhas idéias tenham ficado mais claras. Não é que não acredito que existam verdades, mas temos que ter consciência de que as verdades são inúmeras e não podemos nos apegarmos a nossa como se fosse a única.

Dica da Zona


Essa semana temos como indicação de livro a obra Cidade de Ladrões, de David Benioff linda estória que se passa durante a Segunda Grande Guerra e mesmo em um ambiente hóstil, há lugar para uma linda amizade e o surgimento de um grande amor. Leia aqui um trecho da obra.

Filme - minha sugestão de filme é Nossa Vida Não Cabe Em Um Opala, de Reinaldo Pinheiro. Caros amigos, não se deixem levar pela estranheza do título, pois é um bom filme, impactante. Conta a história de uma família de ladrões de Opala que perde o pai, também ladrão. Tudo o que querem é encontrarem a felicidade e nessa busca se dão contam o quanto são produtos do meio e infelizes. Veja o trailer.

Música - Como passamos a semana refletindo sobre a obra de Darcy Ribeiro O Povo Brasileiro, destaco a música que, por felicidade, descobri essa semana. Uma música linda, de letra doce, poética e que tanto composição como arranjo refletem todo suingue do povo de nosso lindo país. Seu nome é Salve a Mulatada Brasileira de Zeca Baleiro e Martinho da Vila. Ouça.

sábado, 31 de outubro de 2009

Nação de “ninguéns”

É comum ouvirmos críticas a postura do povo brasileiro, quase sempre passivo as mudanças propostas pelos governantes. Dizem que somos apolíticos, acomodados, que temos uma postura de espera que o Estado faça as coisas por nós e que deveríamos construir nossos rumos e os de nosso país. Tudo isso é correto, não podemos negar que isso ocorre mesmo e que seria importante mudar esse estado de coisas. Aliás, diga-se de passagem, já passou da hora de tomarmos essa atitude. Porém precisamos refletir sobre alguns pontos: Na maioria dos países, o nascimento do sentimento de nacionalismo surgiu antes do que o Estado, primeiro houve o sentimento coletivo de fazer parte de um mesmo povo, mesmo país, mesma nação e esse sentimento levou e fomentou a criação dos Estados independentes. No Brasil, ocorreu ao contrário, a criação do Estado antecipou-se ao sentimento de ser brasileiro. O Brasil tornou-se nação formada por um povo que nem tinham consciência do que era ser brasileiro, esse povo eram ninguém. Os mestiços que nasciam na terra, não eram índios, não eram africanos e nem portugueses. Eles discriminavam índios e negros, pois não queriam pertencer a esse grupo social, e eram discriminados pelos portugueses que os consideravam mestiços, portanto, inferiores. Aliás, a palavra brasileiro por si só já demonstra esse preconceito, pois na língua portuguesa o sufixo pátrio, gentílico é o “ense”. Paranaense, piauiense, maranhense e assim vai. O sufixo “eiro” designa profissão, por exemplo, padeiro, pedreiro, faxineiro, etc. Assim, brasileiro era a profissão exercida por quem cortava pau-brasil, era profissão e funcionou para designar essas pessoas que não nada, não pertencia a nada e ficou brasileiro. Antes de ser motivo de orgulho para essas pessoas, era antes de tudo um termo que as rebaixavam, então, como querer que um povo se engaje em algo? Um povo excluído, discriminado, rebaixado. Prova disso é que todas revoluções populares foram sufocadas a ferro e a fogo. Nossa independência e proclamação da República foram alijadas da participação popular, as pessoas nem sabiam o que estavam acontecendo e para elas, essas canetadas mudaram pouca coisa. Sobre esse assunto, coloco um vídeo do Darcy Ribeiro em que o próprio autor nos fala dessa nação feita de ninguéns. É preciso ter isso em mente para entendermos toda nossa falta de amor próprio.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Uma sociedade chamada eu


Queridos leitores, vocês já pararam para pensar o quanto carregamos da sociedade em nossas entranhas? Gandhi, estava com razão quando afirmou que seria mais fácil derrubar a muralha da China do que um preconceito, pois a primeira é apoiada apenas em tijolos, portanto, tirando um, cairão todos. Já os preconceitos são feitos por idéias que foram sendo calcados durante anos na vida de alguém e tira-los, sem dúvida, é muito difícil.
O processo de socialização por qual todos nós passamos faz com que introjetemos seus ideais como se fossem verdades universais, poucas vezes nos questionamos. Imagine-se em sua sala, não há ninguém em volta, você está sozinho vendo TV. De repente, você solta um pum. De maneira incrível, você ficará com vergonha, mas de que? Está sozinho? Mas a sociedade está em você. Seus valores e normas te regem mesmo que não perceba.
Esse fato faz com que nós nos comportemos por conveniência, não do modo que queríamos nos comportar, mas do modo como os outros queriam que nós nos comportasse. Ou melhor, as regras estão tão bem assimiladas que nosso comportamento já é automático, nem percebemos que aquilo foi pré-determinado, portanto, achamos que somos livres.
Albert Camus em seu livro “O Estrangeiro” nos relata com maestria tal fato. O personagem dele não vive por conveniência e há muito tempo não convive com a mãe, certo dia, a idosa falece e ele vai ao enterro, mas não chora, pois para ele não havia sentido para isso, pois há tempos que não convivia com aquela mulher. Tempos depois ele se envolve em um assassinato, mata um homem acidentalmente, e o juiz o condena, não pelo fato em sim, mas sim por ele não ter chorado no enterro da mãe, isso, na visão do juiz era inadmissível. Por essa razão, o nome do livro de Camus é o estrangeiro, pois quem não age de acordo com as regras sociais são estrangeiros.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Frágeis Pilares II


Além do fato já descrito por mim no post anterior de que a crença em uma verdade representa acreditar que a nossa vida tem algum sentido. Crer em uma verdade protege o ser humano da anomia. É como se fosse uma barreira que todos nós criamos para não cair em uma armadilha anomica.
Alguns leitores estão a se perguntar o que é anomia? Pois bem, esse conceito descrito pelo sociólogo Emile Durkheim significa uma mudança brusca na realidade social do indivíduo, mas tão brusca, que o mesmo não consegue se adaptar a nova realidade e em alguns casos mais agudos, a pessoa chega ao suicídio anomico.
Por exemplo, alguém que do dia para a noite se vê falido, ele com certeza terá imensa dificuldade para se adaptar a pobreza, essa mudança radical em sua vida social o fará entrar em depressão e em alguns casos se matar. O inverso também ocorre, alguém que ganhe na loteria e fique rico repentinamente também terá dificuldades de adentrar nesse novo ciclo social, fará com que cometa várias gafes, pois seu “mundo” não é aquele.
Explicado o que seja anomia, partiremos para explicar o motivo pelo qual afirmo que a crença de que exista uma verdade serve para proteger as pessoas desse processo social degradante e para isso vou precisar do esforço imaginativo dos queridos leitores.
Imagine uma pessoa que sempre ouviu, por exemplo, que beber leite e chupar manga faz mal (recorro a esse exemplo, pois todos sabemos que isso é uma inverdade, mas serve para todas “as verdades”). Será que após viver anos e anos ouvindo a mesma história de diversas pessoas, sobretudo, o pai e a mãe, essa pessoa irá acreditar em uma pessoa que lhe diga que isso não passa de um mito? Mesmo que essa pessoa a prove por diversos estudos científicos, nada a fará acreditar, pois sua mente está formatada a acreditar no oposto.
Abandonar nossas verdades significa reconhecer que vivemos anos e anos errando, que perdemos muito de nosso tempo nos guiando por falsos ideais e isso é insuportável para todos nós. Requer que passemos a pensar de outra maneira, a nos adaptar a uma nova realidade, daí a condição anomica que isso representa.
Há pessoas que são extremamente radicais em suas opiniões, isso para mim representa pouca capacidade de mobilidade social, pessoas mais abertas são mais móveis socialmente falando, ou seja, se adaptam mais rapidamente ao novo, por isso não o temem.
Para finalizar, milhares de índios foram mortos devido o contato com o português que lhe trouxe vários vírus a que seus corpos não estavam preparados, mas o pior vírus que o “homem branco”, foi o vírus cultural, ao impor suas verdades aos índios, esses de uma hora para outra não sabia mais o que era certo e o que era errado.
Suas crenças, suas verdades foram reprimidas, sobretudo, pelos jesuítas que impuseram sua fé aos índios. Esse processo de acultaração foi tão o quanto mais perverso que os vírus biológicos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Frágeis Pilares I


Há alguns posts atrás afirmei que a verdade não existe, mas as pessoas precisam crer que existe uma verdade. E porque isso acontece? Existem dois fatores que podemos usar para explicarmos tal necessidade. A primeira reside no fato que a existência de uma verdade possibilita ao homem confiar que sua vida tem algum sentido.
Viver sem verdades significa viver sem certeza e isso é impensável para qualquer um de nós. Albert Camus em seu livro O Mito de Sísifo fala com propriedade que a vida humana vai ao encontro do absurdo. E realmente. Vivemos para quê? Para onde estamos indo? Será que nossos planos e objetivos nos levarão a algum lugar? O ser humano assim como Sísifo está condenado a levar uma pedra até o alto de uma montanha e deixar rolar abaixo, para no outro dia levá-la de novo. Nossos esforços são repetitivos e de resultado incerto.
O problema é que para muitas pessoas é impossível encarar essa dura realidade, para nós é preferível acreditar que nossa vida tem algum sentido embasado nas verdades que criamos e acreditamos piamente, até que um dia, em um segundo, um fato faz cair todas nossas certezas e enxergamos nossa vida de outra maneira.
Não caros amigos, não sou apocalíptico, mas acho que devemos ter consciência da fragilidade de nossas verdades, e que a verdade do outro é tão verdadeira quanto as nossas. Como dizia um professor meu: o homem morre sem dentes, sem cabelos e sem ilusões, então para que alimentá-las?
Eu sei e entendo que essas ilusões muitas vezes é o que nos mantém vivos, mas precisamos ter o distanciamento necessário para saber que elas não passam de ilusões e a qualquer momento podem se desmanchar. Pois como afirmou Marx: “tudo que é sólido se desmancha no ar”.O segundo ponto que fazem as pessoas terem certeza da existência de uma verdade está relacionado ao conceito de anomia. Mas esse é assunto para os próximos posts.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Entender para Críticar II

Com esse vídeo termino a série que fala sobre o Nordeste no Livro de Darcy Ribeiro "Viva o Povo Brasileiro. Espero que tenham gostado e apreciado a história de uma região encantadora, de povo igualmente encantador, mas tão machucado pelo clima que castiga e pela história que condena.

"O Nordestino é antes de tudo um forte"

Entender para Críticar II

No post anterior vimos a primeira parte desse delicioso trabalho de Darcy Ribeiro. Nele ele destaca que a colonização do Nordeste esteve ligado a criação do gado vindo da Europa. Aqui eu queria colocar algo que entendo ser crucial para compreender o fato da Região ter sido sempre expulsivo e nunca atrativa.
Em minha visão o grande problema dessa linda região, de lindo povo não é, e jamais foi a seca, pois como vimos no vídeo anterior, o sertanejo desenvolveu uma cultura própria que o permitiu viver nessa região, interligado a ela. O sertanejo é tão forte quanto o chão que pisa e tão lindo quanto a flor da mandacaru.
O grande problema da Região é o latifúndio que não permitiu ao homem do lugar adentrar no mercado de produção. Os latifúndios e os coronéis, criaram uma massa humana de agregados sem muitas possibilidades na vida. Aliás, ao meu modo de ver, eram apenas quatro as possibilidades:
  • virar capanga do coronel e com isso manter tudo como estava
  • entrar para os movimentos messiânicos na esperança que Deus pudesse mudar as coisas ou garantir uma outra vida melhor quando morrer
  • entrar para o cangaço e tentar mudar os estados das coisas na bala
  • ou fugir para o sul.

Desse modo, capangas, os beatos de Antonio Conselheiro, os canganceiros do bando de Lampião e os retirantes são a mesma coisa, pois são frutos do mesmo sistema econômico perverso.

Compatilho com vocês o segundo vídeo dessa excelente obra.

Entender para Críticar

Darcy Ribeiro dedicou sua vida a entender e explicar o Brasil. Uma de suas obras mais brilhantes é o Povo Brasileiro. Nesse estudo, esse grande antropólogo se debruça ao processo de colonização brasileiro para explicar as peculiaridades de cada uma das regiões que compõem nosso belo país. Desse modo, Ribeiro dividiu Brasil em cinco grande blocos que ele chamou de Brasil Cabloco (Norte - influência índigena); Brasil Sertanejo (Nordete - influência portuguesa, latifundio); Brasil Afro (litoral - influência Africana); Brasil Caipira (Sudeste e Centro-0este - influência dos bandeirantes e Brasil Sulino (Sul - inflência imigração európeia).

Desse grandes blocos, queria ressaltar o Brasil Sertanejo dedicado ao nordeste, região marcada pela seca, a exclusão, o latifúndio e os coronéis e senhores de engenho, ou seriam feudais. E quem vai explicar é um vídeo baseado nessa grande obra de Darcy Ribeiro. Acompanhem e espero que gostem. Destaque para a fala do grande Ariano Suassuna!

Dica da Zona

Esse post inaugura uma nova sessão nesse blog. Semanalmente posstarei nesse espaço dicas de livros, filmes e músicas.
Para inaugura-la, vamos as dicas:


LIVRO - A Menina que Roubava Livros - Marcus Suzak - Um livro encantador, poético. Uma história forte contada pela morte sobre alguns fatos da 2ª Grande Guerra, no meio uma menina, orfã que encontra a salvação nos livros que le. Interessados podem ler o 1º capítulo aqui.


FILMES - Salve Geral, O Dia em que São Paulo Parou - Direção Sérgio Rezende - Impactante, bom filme sobre a história recente da maior cidade brasileira. Há tempo que não saio do cinema tão impactado. Acompanhe o trailer.


MÚSICAS - O novo CD da Zélia Duncan - Pelo Sabor do Gesto - é um dos melhores que eu ouvi nos últimos três anos. São 14 músicas, das quais pelo menos 10 você aperta o botão do repeat do seu aparelho de música. E Há uma música que exemplica toda a poesia e delicadeza presentes na maioria das canções desse álbum, seu título é Telhados de Paris. Ouça

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O mundo das incertezas!


Começo esse texto com duas provocações a quem por ventura desperdiçar seu precioso tempo lendo essas bobagens. A primeira: esqueçam as verdades, nada daquilo que vemos ou entendemos não passa de mera ilusão, mera construção, enfim, mera representação. A segunda: troquem os sinais de exclamação por interrogações e verá que aquilo que tem como certo, não é tão certo assim.
Espero que os leitores que começaram a ler esse texto não fiquem tão chocados que o abandonem. O pensador francês Jean Boudrillard há algum tempo já anunciou a proeminência do signo. A representação hoje é mais real que o objeto, esse está vazio, não tem mais sentido.
Certo dia estava assistindo ao jornal local e foi entrevistada uma cantora que fazia uma apresentação na cidade naquela noite. O cenário do show, segundo a cantora representava o seu quarto, pois ela queria que o público se sentisse como se estivesse tocando e cantando no seu quarto. Ora, ela nunca conseguirá isso! Ali estão apenas signos, representação. Ali não é e nunca será o quarto dela, apenas representações vazias que cada espectador da platéia construirá e perceberá de uma forma.
Isso vai ao encontro do que diz a semiótica peirceana que também afirma que o signo não recobre todo o objeto, pois se assim fosse signo e objeto seria a mesma coisa. Para tornar mais claro: um mapa não é o território, ele apenas o representa. Caso conseguimos fabricar um mapa do tamanho de um território, os dois seria a mesma coisa.
Porque afirmo isso? Para tentar demonstrar aos que me leem que o signo apenas dá indícios sobre o objeto, ele não é o objeto. O signo cumpre sua função pelo e através de quem o interpreta, que lhe dá sentido. Desse modo, uma cena que choca várias pessoas, causam risos em outras, indiferença em outras. E até mesmo o horror e o riso ante a cena possuem gradações diferentes, umas riem e se chocam menos ou mais que outras.
Aqui chego ao ponto crucial, pois desse modo a verdade não existe, cada pessoa tem a sua verdade, pois lida com a realidade de uma maneira diferente da outra. Eu tenho o meu arcabouço intelectual que me permitem enxergar o mundo de uma forma, minha mãe tem outro e a fazem enxergar os mesmos signos por outra perspectiva e formular outras verdades. Quem sou eu para falar que eu estou ou errado, tenho que apenas entende-la e aceita-la. Mostrar meu ponto de vista quem sabe? Mas nunca tentar impor nada.
A verdade não existe, a realidade é uma ilusão, cada pessoa constrói seu mundo a sua maneira. Isso é um ponto. E porque necessitamos tanto de uma verdade? Porque aceitar que nada é para sempre é tão difícil para algumas pessoas? Isso será tema do próximo post, espero que aguardem!

domingo, 25 de outubro de 2009

O mundo é aquilo que podemos sentir


Alguns posts anteriores, falamos que o ambiente social cria e condiciona nossos sentido, mas não podemos esquecer que essa relação, sem dúvida, é de mão dupla. O ambiente constrói nossos sentidos, e esses constroem o mundo a nossa volta. Essa construção e definida e “acabada” pelo aparato sensitivo dos humanos. Como bem fala o escritor José Saramago no documentário “Janela da Alma”: “Romeu provavelmente não se apaixonaria por Julieta caso conseguisse ver como uma águia, pois veria todas as imperfeições de sua pele”.

O mundo é construído a partir de nosso aparato sensorial, caso ficassemos todos cegos de uma vez só, o mundo tal qual é concebido hoje, simplesmente perderia o sentido, noções como beleza ganharia outro sentido.
Certamente José Saramago tem razão ao fazer tal afirmação, mas poderíamos falar também que Romeu poderia apaixonar-se sim, mas, sem dúvida, seu padrão de beleza seria outro. Nossos sentidos moldam a realidade que percebemos, se tivéssemos a capacidade auditiva do cachorro, nossa noção de silêncio e barulho seria completamente diferente, nossas músicas e instrumentos musicais idem.
É importante termos em mente que a realidade é captada por nós através de fragmentos, a partir dessas partes construímos nossa realidade. Experimente dar um óculos ou um aparelho de audição a quem não vê ou escuta como os demais ser humanos, a relação com o mundo que os cerca mudará completamente, será inteiramente nova.
Então podemos supor que se nossas acuidades sensoriais fossem outras, maiores ou menores, nosso mundo seria completamente diferente, pois nossas relações e critérios seriam outros também. Não podemos esquecer que a nossa percepção da realidade além de ser fragmentada é também mediada por signos. Nossas relações com os objetos são todas mediadas por signos. E são esses signos que nos permites construir sentido para o mundo que nos cerca.

sábado, 24 de outubro de 2009

Estamos só de passagem!


Queridos leitores, começo esse texto fazendo uma pergunta direta: quantos anos cada um de vocês acham que vão viver? Eu de minha parte penso que se chegar aos oitenta está bom demais. Oitenta anos! Se pensarmos que esse planetinha tem mais ou menos cinco BIlhões de anos, esses oitenta equivalem o mesmo que a vida de bactéria chinfrim, ou seja, alguns segundos.
Aqui faço minha segunda pergunta: para quê gastarmos esses míseros segundos com bobagens? Raivas, intrigas, aborrecimentos, nervosos, ódios e tudo mais correlatos que o leitor lembrar-se não levarão a nada, a não ser o desperdício desses ralos e parcos segundos com besteiras!
Além de desperdiçar nosso tempo com esses sentimentos ruins, ainda o vemos escorrer por entre os dedos apegados que somos a convenções sociais que nos amarram e não nos deixam viver a vida plenamente. Preconceitos, casamentos por convenção, de aparência e mais uma série que não permitem fazer o que queremos.
Aliado a essas bobagens, temos que ter em mente o caráter efêmero da vida, é meio clichê o que vou dizer, mas é a pura verdade: “nada é para sempre”, e como tal eu pergunta: “para que stresse”? Eu sei e entendo que o tesão e a felicidade são condições básicas para o envolvimento em tudo na vida (isso será tema de um texto que escreverei em breve).
Porém o que estou dizendo é que precisamos fazer o exercício diário de entender que tudo um dia acaba. Por mais que a situação seja difícil, temos que pensar que nada perdura para sempre. Não quero com isso que os leitores adotem uma postura derrodista ou conformista. Temos que lutar a cada dia por melhoras em nossa. O que coloco aqui é que nós não podemos tornar algo ruim e algo pior.
Assim não perdemos tempo com sentimentos menores e que não nos levam a nada e em lugar algum, lembremos sempre que tudo passa, nada é para sempre e, portanto, as coisas sempre podem mudar.
Afinal como diz a letra de uma canção: “estou aqui de passagem, esse mundo não é seu, esse mundo não é teu, estou aqui de passagem”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Falácia Tecnológica

Há uma teoria da comunicação que me chama muito atenção (adoro essa disciplina, mas essa teoria em especial), seu nome é Teoria do Meio. Para os autores dessa corrente, sobretudo, McLuhan o que importa é o meio, muito mais que as mensagens que esses mesmos meios propagam, assim, para esses estudiosos não importa o que o TV transmita, apenas a invenção da TV por si só já geram impactos suficientes para transformar toda a sociedade.
Feito esse preâmbulo (ou como um amigo meu prefere chamar: nariz de cera), isso me leva a pensar na grande falácia ideológica que a tecnologia atual e seus avanços nos empurram goela abaixo. Há 20 anos quanto tempo perdíamos em uma fila de banco para pagar uma simples conta de água? Por vezes uma tarde inteira. Inventaram o caixa eletrônico com a promessa de que perderíamos menos horas em fila e assim teríamos mais tempo para o lazer.
Mas esse tempo que “economizamos” sem estarmos em filas é preenchido com mais trabalho. Isso é uma grande falácia, uma mentira deslavada e cruel, pois a cada novas invenções são criadas, novos meios surgem para nos facilitar a vida e o que vemos? Pessoas e mais pessoas estafadas, cansadas, estressadas, por quê? Simplesmente, devido ao acumulo de trabalho, o tempo que ganhamos com essas benditas/malditas invenções é compensado com mais trabalho! Queremos acompanhar os ritmos das máquinas, mas somos humanos.
Não nos custam fazer um exercício de imaginação. Quando não existia a luz elétrica, as pessoas dormiam 19h e acordavam 5h, com sua invenção prolongou-se as horas do dia, dormimos 23h hoje e acordamos? 6h, no máximo 7h. Acordamos cansados, de mau-humor já.
Há tempo. Não sou apocalíptico, nem entusiasta das novas tecnologias, mas temos que pensar em que essas porcarias estão fazendo com a gente, aceitamos essas invenções com os olhos brilhantes de uma criança e nos ferramos cada vez mais. Não acho que a tecnologia fará o mundo melhor ou pior, não sou vidente, mas sem dúvida o tornará diferente e temos que pensar sobre essas mudanças sem aquele ranço de nostalgia, pois sei que tinha muita gente que não dormia às 19h sem energia elétrica, eles ficavam nos puteiros a luz de velas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Cultura e Status

Há uma três semanas, eu estava participando de uma série de seminários e em um desses dias cheguei um pouco mais adiantado do que de costume e fui a um café que existe ao lado do centro cultural em que acontecia os seminários.
Entrei pedi o cardápio e um detalhe me chamou a atenção: o alto preço das comidas! Caramba, um pastel cinco reais é muito caro. Em torno, compondo o ambiente, livros a venda, quase todos sobre culinária. Mais sustos. Os preços dos exemplares giravam em torno dos R$ 100 cada!
Na hora pensei algo que não sei se os leitores desse post concordarão, mas tive a impressão que Cultura nesse país está intimamente ligado a Status, a poder e consequentemente a grana.
Ou seja, os pobres não tem condições, ou melhor, requinte para frequentar um centro cultural, só os mais abastados e, portanto, pode-se cobrar aqueles preços exorbitantes nos preços dos alimentos e das publicações.
Mas será que isso é verdade, ou esses preços são exagerados para aumentare ainda mais o abismo entre os pobres e ricos nesse país. A cultura popular é barata, vários artistas nesse país vivem de cantar em bares e botequins em que o cover é três reais. Porque cobrar cinco reais em um pastel? Será que sabem de antemão ou presumem que o pobre, o lascado, o trabalhador não tem capacidade, gosto ou tempo de frequentar um centro cultural? São perguntas que me fazem pensar e cada vez mais ter certeza que a divisão errônea entre alta e baixa cultura não caiu totalmente.

O mundo dos sentidos I

Todos certamente já viram uma floresta ou entraram em uma mata fechada. Nessa experiência, esse habitat nos parece um aglomerado de árvores, todas iguais, sem nenhuma distinção entre elas. No entanto, índios e pessoas que moram nesses lugares conseguem diferencia-las, para eles cada árvore é única e nesse local que nos parece homogêneo, conseguem localizar-se e até construírem caminhos. Seremos cegos?
Com certeza não. O que devemos levar em conta nesse caso e é que nossos sentidos são “construídos” a partir do local e sociedade em que vivemos. Os sentidos das pessoas que moram em floresta foram treinados para a perfeita adaptação desses homens a esses locais. O inverso também acontece.
O antropólogo e professor da UFRJ José Carlos Rodrigues nos relata em seu livro “Comunicação e Significado”[1] um estudo que empreendeu em uma obra com a finalidade de diminuir os acidentes de trabalho. Para tanto empreendeu um estudo antropológico em que identificou que a incidência de acidentes era maior entre as pessoas recém-chegadas do interior. Por que isso? Menor grau de instrução?
Certamente que não, a conclusão a que o professor chegou foi a de que essas pessoas provenientes de outros locais não tinham seus corpos e percepções treinadas para viverem em um local onde os perigos são iminentes e os espaços diminutos. Esses homens provenientes do campo sempre viveram em grandes extensões de terra, os perigos eram quase todos naturais (animais, insetos) e a essa nova realidade e aos perigos dessa nova realidade seus sentidos não estavam preparados.

[1] RODRIGUES. José Carlos. Comunicação e Significado: Escritos Indisciplinares. Manuad X: Editora PUC Rio. Rio de Janeiro. 2006.